As pessoas são seres dinâmicos, mas somente se movem diante de determinadas circunstâncias, que podem estar relacionadas às necessidades fisiológicas ou psicológicas. A mobilidade é nata do ser humano, mas no estado atual de competitividade ela se tornou determinante para que possamos nos destacar ou mesmo manter no mercado.
Assim como os profissionais, as empresas se movem baseadas nas premissas que estes utilizam em sua prática diária. Assim, as perspectivas da realidade que um determinado grupo adquire são fundamentais para definir como uma organização age ou reage diante do ambiente.
É interessante perceber que nem todos possuem os mesmo interesses que aqueles demandados pelas organizações podendo gerar conflitos, assim como também, há ocasiões em que os interesses individuais se sobrepõem aos corporativos. De outro modo, os interesses individuais, normalmente dos dirigentes das organizações, são aqueles que com freqüência se impõem aos dos colaboradores.
Muito antes do que uma questão filosófica, identificar as razões que movem os colaboradores e a própria empresa, é uma questão de gestão e por isso não pode se dar ao sabor do vento. Neste sentido, tanto as organizações como os profissionais precisam estudar e alinhar os seus respectivos interesses podendo contribuir decisivamente para ampliar a eficiência e a eficácia de ambos.
Além de diversos motivos e aqueles ainda não identificados ou analisados pela neurociência e a psicologia organizacional, de um modo geral, percebe-se pelo menos três grandes aspectos que tiram os profissionais da zona de conforto ou mesmo do marasmo.
De um lado (i) há uma força interior que está centrada nos objetivos que cada um define para si, sejam eles no curto ou longo prazo. Isso significa que sem objetivos evidentes a serem alcançados pouco de efetivo será realizado para que haja mudança. Na ausência destes, normalmente depende-se de outros ou do próprio sistema para evoluir.
Adiante, reside (ii) a percepção de perda iminente. Os profissionais movem-se rapidamente quando percebem que há possibilidade de perderem o status quo. Ou, dito de outra forma, quando identificam sinais de que o estado de tranqüilidade ou a zona de conforto conquistada está ameaçada, normalmente engendram ações para que possam sair da zona de perigo.
Isto às vezes consiste na prática de realizar melhor nossas tarefas, prestar mais atenção no que ocorre ao nosso redor, melhorando a nossa percepção periférica, ou mesmo investir tempo e dinheiro para fazer uma capacitação específica. De um modo geral, é uma prática reativa, o que muitas vezes ocorre tardiamente, não permitindo que mantenham o estágio conquistado.
Na seqüência, e talvez o mais importante dentre os demais motivadores, está (iii) o sentimento agradável da expectativa. É comum que se diga no ambiente corporativo que são as expectativas que movem o mundo dos negócios. É assim nas bolsas, nas decisões técnicas e principalmente na vida pessoal.
Existe um combustível natural em torno das expectativas positivas. Quando percebemos que a empresa está ganhando mercado, consegue cumprir com os contratos ou está se diferenciando, normalmente, os colaboradores se esforçam mais ainda, pois está neles também a expectativa recíproca de melhorar e avançar. Temos particular interesse em participar e auxiliar naquilo que já está dando certo.
A expectativa positiva em torno de algo onde a lógica é complexa e não linear é algo típico dos seres humanos e sua capacidade de abstração. É um dos aspectos centrais que nos diferencia dos primatas que nos originaram. Como seres que detém essa aptidão somos capazes de agir proativamente, por sua vez, um dos grandes diferenciais dos profissionais de destaque.
É verdade que nem todos têm essa capacidade de agir proativamente, o que faz com alguns se movam mais rápido do que os demais e se preparem melhor também. Estes, quando a necessidade surge, parece que já estavam lá, apenas esperando.
Por outro lado, precisamos identificar também o que faz as pessoas e as organizações não se moverem. Parece-me tão importante quanto identificar o que as motiva a evoluir.
Boa semana de Gestão & Negócios.