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Dunga, Midia e Gestão
Publicado em: 28/06/2010
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Simpatia e Marketing Pessoal. Essas certamente não são as duas principais características do líder da nossa seleção brasileira de futebol. Como pode facilmente ser percebido, não faz questão de agradar a quem quer que seja e está lá para completar um planejamento estabelecido, fazendo o que for necessário para colocá-lo em prática.


Primeiro precisamos ter em mente que o que nos é apresentado pela grande midia normalmente possui um viés, cujo interesse normalmente não somos capazes, com nossa visão parcial, de compreender ou de emitir juízo de valor que corresponda à verdade. Com freqüência nos são apresentados os fatos, ou apenas parte deles sem, contudo, contextualizar. Basta assistir outros canais, mesmo abertos, para constatar essa obliqüidade.


Dito de outro modo, quando algum elemento público é evidenciado devemos eliminar de pronto qualquer visão romântica ou credulidade absoluta que por ventura tenhamos, mesmo e principalmente em se tratando de futebol, a nossa maior paixão nacional.


Não é necessário ser muito inteligente para perceber de que há um mundo de lições a serem aprendidas em termos de liderança, coerência e gestão por resultados, pelos diferentes profissionais ou empresários, com o pouco que se viu até agora do modelo de trabalho de Dunga e na relação da seleção e seu líder para com a sociedade e a imprensa. Basta que para isso deixemos de lado um pouco a visão, normalmente míope, de torcedor.


O caso de xingamento público protagonizado pelo líder futebolístico brasileiro e o idêntico e vexatório editorial apresentado pela principal rede de televisão nacional no domingo passado nos deram mostras do tamanho do profissionalismo e o volume de informações nessa relação, que somente alguns são capazes de receber.


Ao fazer algumas analogias entre este modelo adotado por Dunga e as diferentes estratégias de empresários, profissionais e até pais de família na condução de seus compromissos chegamos a alguns aspectos interessantes.


Como líder que assume um empreendimento (não é um negócio, é um projeto, que possui início, meio e fim), Dunga estabeleceu parâmetros claros e métodos sérios que permitem poucas experiências, sabendo-se que correto ou equivocado, as responsabilidades serão dele. Esse processo durou mais de três anos, período no qual experimentou diferentes estratégias, nenhuma delas extravagante, e vários atletas, sendo vitorioso em todos os eventos que participou. O histórico provavelmente o credencie a ser turrão e convicto das suas decisões.


Manter a linha, coerência e retidão são alguns dos grandes atributos dos líderes. Imprime confiança aos liderados e demais pessoas que compõem o ambiente, mas é natural que atrapalha aqueles que se acostumaram às decisões de última hora ou que adotam a conveniência pessoal como principal pilar de trabalho.


O episódio lamentável da última semana só fortaleceu a idéia de que boa parte da grande imprensa brasileira é mimada e como um filho que sempre consegue tudo o que quer tem dificuldade em receber um não e sente-se contrariado quando não alcança o que esperava, principalmente quando não merece.


Embora também possamos parecer turrões, tenho certeza de que se mais pais tivessem esta firmeza em não ceder às investidas dos filhos e também da mídia para as falsas facilidades do mundo teríamos mais homens e mulheres capazes de honrar os seus compromissos e de fazer o que precisa ser feito, sem renunciar às primeiras dificuldades e voltar correndo com medo de enfrentá-las.


É lógico que Dunga cometeu o erro de sair da linha e deixar escapar aqueles palavrões que realmente arranharam a sua imagem de líder, que precisa saber da condição de pessoa visada, não só pela midia, que replica o que ocorre nesse ambiente (não sem antes filtrar o que possa lhe interessar mais), mas principalmente por todos aqueles que o cercam ou possam ver nele um exemplo a seguir.


Assim como nas empresas, onde o jogo fica cada vez mais competitivo, no futebol também acabou o romantismo. Claro que tanto nas empresas como nos gramados, o clima deve ser amistoso sem descambar para a irresponsabilidade, mas é preciso trabalho sério, planejado e controlado o suficiente para que aquilo que se propõe alcançar seja realmente atingido.


Essa ainda é uma filosofia de vida que está faltando para boa parte dos clubes de futebol, das empresas e também das famílias.


Boa semana de Gestão & Negócios.

Eleri Hamer é Diretor de Relações com o Mercado do IBG – Instituto Business Group, professor e palestrante – contato@elerihamer.com.br.
 
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