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Informatização – mudança de hábito*
Publicado em: 28/06/2010
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A utilização da TI ou especificamente da informática, obviamente não representa a solução dos problemas de gestão, além de não garantir melhores resultados econômicos para as empresas. Pelo contrário, se as soluções forem mal planejadas ou apoiadas em decisões intempestivas, podem até agravá-los.


Na prática, informatizar uma empresa, principalmente rural, requer muito mais do que uma ferramenta eficaz, demanda mudança na matriz e no comportamento de gestão, especialmente do gestor principal, o que na maioria das vezes é o próprio dono.


O que se presencia é uma barreira cultural à adoção de tecnologias que requeiram mudanças comportamentais e na prática representam muito mais do que apenas implantar um sistema de informática. Requer, acima de tudo, mudanças no modo de organizar o cotidiano das pessoas, mexendo em processos arraigados, exercidos por anos.


Além de movimentar no que fazer, a implantação de sistemas informatizados interfere acima de tudo no que não é mais possível fazer, uma vez que os processos se tornam mais rígidos e necessitam ser planejados com seriedade e eficácia para posteriormente haver cumprimento, sob pena de engessar atividades corriqueiras.


As reclamações mais veementes dizem respeito exatamente a esse engessamento o que evidencia a falta de um modelo mais estruturado o que pode ser entendido como um novo modelo que reduz o poder de decisão dos empresários, não permitindo que sejam tomadas decisões ao sabor do humor do empresário, como antes. Efetivamente pode reduzir o potencial de erro ao mesmo tempo em que requer controles e acompanhamentos mais sistematizados, inviabilizando decisões intempestivas.


Segundo dados oficiosos, coletados em empresas do setor, o nível de utilização dos sistemas informatizados, mesmo depois de adquiridos e implantados ainda é muito baixo, não alcançando 30%. Parte dessa indelével dificuldade deve-se também a falta de diálogo entre os desenvolvedores e os respectivos demandantes de software, o que muitas vezes, torna o produto final de difícil manuseio.


As boas notícias são de que há avanços significativos em curso, o mercado e o nível de informatização são crescentes, a mudança do perfil gerencial dos líderes também está em ritmo acelerado e a necessidade de profissionalização do setor é evidente.


Por outro lado, embora onere significativamente a implantação, a customização é um aspecto preponderante para a eficácia dos sistemas e para a ampliação do nível de utilização em empresas agropecuárias. Boa parte desse problema seria automaticamente resolvida com os modelos de software inteligentes já utilizados em simulações nos sistemas financeiros ou mesmo de combate a vírus de computadores.


A idéia de que os softwares existentes são complexos é uma realidade. Contudo, não há como ser diferente, uma vez que as atividades que envolvem a sua implantação requerem um conjunto de parâmetros que necessitam ser integrados e possuem complexidade natural, típica das atividades agropecuárias. Um software agrícola naturalmente requer complexidade na sua construção para que dessa maneira possa oferecer informações confiáveis e capazes de conduzir a decisões adequadas.


Por fim, por parte dos gestores, há a necessidade de melhorar o nível de entendimento das ferramentas e indicadores de gestão. Os softwares estão muito além da realidade da maioria dos produtores e de seus colaboradores. Poucos produtores possuem conhecimento técnico suficiente para entender o significado das informações que podem ser extraídas dos aplicativos.


Boa semana de Gestão & Negócios.


* Este texto é parte do artigo AGROINFORMÁTICA – Muito Além da Ferramenta, publicado por este colunista na revista Seednews Latino Americana de Jul-ago/2010.

Eleri Hamer é Diretor de Relações com o Mercado do IBG – Instituto Business Group, professor e palestrante – contato@elerihamer.com.br.
 
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